O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO E SUAS CONDIÇÕES
Por: Jessé Maia Rios
O ser humano é um nó de relações, não podendo ser compreendido de forma destacada do outro com o qual se comunica. O diálogo constitui, assim, uma dimensão integral de toda vida humana. É na relação com o tu, que o sujeito constrói e aperfeiçoa a sua identidade. Trata-se de uma experiência humana fundamental e “passagem obrigatória” no caminho da auto-realização do indivíduo e da comunidade humana.
O que conta no diálogo é a reciprocidade existencial, o “intercâmbio de dons”, a dinâmica relacional que envolve a semelhança e a diferença em processo rico de abertura, escuta e enriquecimento mútuos. É neste contexto dialogal que a identidade vai ganhando fisionomia e sentido, enquanto expressão de uma busca que é incessante, árdua e criativa. Dentre a extensa variedade de formas de diálogo, situa-se o diálogo inter-religioso com sua peculiaridade própria. Trata-se do “conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e comunidades de outras confissões religiosas, para um mútuo conhecimento e um recíproco enriquecimento”.
O diálogo inter-religioso instaura uma comunicação e relacionamento entre fiéis de tradições religiosas diferentes, envolvendo partilha de vida, experiência e conhecimento. Esta comunicação propicia um clima de abertura, empatia, simpatia e acolhimento, removendo preconceitos e suscitando compreensão mútua, enriquecimento mútuo, comprometimento comum e partilha da experiência religiosa. “O diálogo inter-religioso acontece em vários níveis e envolve tanto indivíduos como comunidade. Movido pelo espírito vindo de aspectos exteriores para aspectos mais interiores da vida, ele leva a níveis mais profundos de comunhão no Espírito, sem detrimento da experiência religiosa específica de cada comunidade, mas aprofundando-a”.
Este relacionamento inter-religioso ocorre entre fiéis que estão enraizados e compromissados com sua própria fé, mas igualmente disponíveis ao aprendizado com a diferença. Uma das condições mais essenciais para o diálogo inter-religioso é a virtude da humildade. No diálogo experimenta-se a consciência dos limites e a percepção da presença de um mistério que a todos ultrapassa. O diálogo envolve o discernimento da contingência e vulnerabilidade, e isto implica uma disposição de escuta do outro que interpela. O diálogo exige humildade, abertura e respeito ao diferente. Não basta, porém, abrir-se à diversidade, mas igualmente afirmar a liberdade e a dignidade do outro, deixar-se interpelar por sua verdade. Daí a exigência do reconhecimento do “valor da convicção religiosa do outro”, e de que esta convicção funda-se numa “experiência de revelação”.
Na ausência de tal reconhecimento, priva-se o diálogo do terreno comum que possibilita sua realização efetiva. Assim como o diálogo exige como condição a fidelidade à própria identidade, exige também o respeito à dignidade do outro em suas convicções. De forma análoga, o outro é alguém animado pelo mesmo tipo de engajamento absoluto com respeito à sua verdade. O diálogo inter-religioso pressupõe convicção religiosa, exigindo de seus interlocutores um empenho de honestidade e sinceridade, que envolve a integralidade da própria fé. Para ser autêntico, o diálogo exige reciprocidade: “É evidente que os cristãos não podem dissimular, na práxis do diálogo inter-religioso, a própria fé em Jesus Cristo. Por sua vez, reconhecem nos seus interlocutores, que não partilham a fé que eles têm, o direito e o dever inalienáveis de se empenhar no diálogo preservando suas próprias convicções pessoais – e também as pretensões de universalidade que podem fazer parte da fé dos mesmos”.
Junto com a adesão, vem a abertura e o acolhimento do outro. O diálogo requer igualmente como disposição “a prontidão em se deixar transformar pelo encontro”. A afirmação e plausibilidade da convicção religiosa articulam-se com o imperativo de abertura, e isto exige a não absolutização do que é relativo, um risco sempre presente em toda fé religiosa. A abertura à verdade, é outra disposição fundamental na dinâmica inter-religiosa. Para que haja diálogo, é necessário que os interlocutores estejam dispostos não somente a aprender e receber os valores positivos presentes nas tradições religiosas dos outros, mas igualmente disponíveis e abertos à verdade que os envolve e ultrapassa; é indispensável que esta busca da verdade ocorra sem restrições mentais, em espírito de acolhida e abertura, pois ninguém pode pretender uma assimilação plena deste horizonte que está sempre adiante.
Os teólogos da libertação mostraram com grande propriedade que a teologia é sempre ato segundo. O momento prévio e primeiro é sempre pontuado pelo compromisso vivo. Sem esta pré-condição a teologia não pode firmar-se em solo profundo e produtivo. A teologia das religiões nasceu do solo irrigado pela prática dialogal e é deste solo que continua a haurir suas inspirações e hipóteses mais profundas.
A teologia das religiões constitui uma resposta, prolongamento e reapropriação teórica do diálogo inter-religioso e seus desafios. Não só a teologia das religiões vem provocada pelo diálogo inter-religioso, mas toda a teologia. Com base na realidade do pluralismo religioso e na práxis do diálogo, toda a reflexão teológica vem acionada a buscar uma nova interpretação da realidade religiosa pluriforme envolvente.
No entanto, infelizmente verifica-se ainda a presença, sutil ou velada, do axioma que moldou toda a tradição cristã: “extra ecclesiam nulla sallus” (Fora da Igreja não há salvação). Este axioma constitui a expressão ideológica da pretensão que tem movido a Igreja católica de ser a única religião verdadeira. Vigora ainda a presença negativa de termos como “pagãos”, “infiéis”, “não-cristãos” etc. Faz-se necessário e urgente não apenas uma “purificação da memória”, mas igualmente uma “purificação da linguagem teológica”.
Há sim salvação em outras religiões e felizmente o dialogo inter-religioso preserva essa verdade, como indica o teólogo Andrés Torres Queiruga:
Reconhecer que há ‘verdade e santidade’ nas demais religiões significa, direta e imediatamente, que os homens e mulheres que as praticam se salvam nelas e por elas; e não a simples título individual, nem muito menos à margem ou apesar delas. O que, por sua vez, supõe uma guinada de cento e oitenta graus na perspectiva, pois isso eqüivale a dizer que Deus está se revelando e exercendo a sua salvação em todas e cada uma das religiões, sem que jamais algum homem ou mulher tenham sido privados da oferta de sua presença amorosa. (QUEIRUGA, Andre, pp.318-319)
A preservação deste fundamental espírito de abertura constitui a grande tarefa teológica para este novo milênio que se inicia. Uma abertura que possa suscitar o encorajamento teológico necessário para ampliar a compreensão dos desígnios misteriosos de Deus e dos caminhos que os realizam.
O PAPEL E A TAREFA DA FÉ CRISTÃ NO MUNDO ATUAL
Por: Jessé Maia Rios
“Deus ama criando-nos e chamando-nos a uma comunhão íntima com ele. Só amamos se assumimos atitude semelhante à criativa de Deus e convidamos alguém a uma comunhão conosco. Em que consiste o amor na criação? Fazer que o outro exista nele mesmo. No caso do ser humano, que ele exista em liberdade. E Deus o sustenta nessa realidade de liberdade, mesmo quando ela se volta contra ele.”
(LIBANIO, 2004, 102).
Aos ouvidos pós-modernos, teologia tem som de coisa velha, caricata. Ainda que a religiosidade continue viva em nossos dias, a teologia representa o oposto, estando mais ligada às formas tradicionais e institucionalizadas da religião. Todavia, esta é uma contradição apenas aparente. Quando conhece verdadeiramente o seu papel, a teologia não se deixa aprisionar nas amarras temporais; antes, caminha na busca dos valores primeiros, dos pressupostos cristãos, aplicados às necessidades do tempo presente.
Para responder aos desafios da experiência histórica de uma sociedade pluralista, então, devemos desenvolver uma reflexão teológica que esteja firmemente embasada no testemunho da Revelação de Deus (as Sagradas Escrituras) e voltada para o entendimento das intrincadas estruturas que formam o arcabouço da nossa cultura e do nosso tempo.
Deus não criou homens e mulheres “religiosos”, mas, simples e “humanos” (T. Queiruga, 1999, 81)
Quando refletimos, a cerca da tarefa fé cristã nos dias atuais, não podemos deixar de acenar sobre a importância da teologia, que de forma mais reconhecida, tem menos dificuldade de aceitação neste mundo marcado pelo pragmatismo cientifico e intelectual. Cabe pois, à teologia o papel de orientar a função da fé na vida do crente cristão.
É impossível que o homem investigue minuciosamente, durante o curto lapso mortal, parte considerável do extenso campo do conhecimento. Cabe, portanto, à sabedoria orientar nossos esforços para a investigação do campo que ofereça os resultados de maior valor. Toda verdade tem valor, inestimável valor. Não obstante, quanto a sua possível aplicação, algumas verdades são de valor incomparavelmente maior que outras. O conhecimento dos princípios comerciais é essencial para o êxito do negociante; do marinheiro se exige que conheça as leis da navegação; ao agricultor é indispensável estar familiarizado com a relação que existe entre a terra e as colheitas; a compreensão dos princípios da matemática é necessária ao engenheiro e ao astrônomo. Da mesma forma, o conhecimento pessoal de Deus é essencial à salvação de toda alma humana que tenha atingido os poderes de julgamento e arbítrio. O valor do conhecimento teológico não deve, portanto, ser desprezado. Duvida-se que sua importância possa ser exagerada.
Os limites máximos da ciência, se é que ela tem limites, superam a capacidade de observação do homem. A Teologia trata de Deus, o manancial de conhecimento, a fonte de sabedoria; das provas da existência de um Ser Supremo e de outras personalidades sobrenaturais; das condições sob as quais ou por meio das quais a revelação divina é concedida; dos eternos princípios que regem a criação dos mundos; das leis da natureza em suas múltiplas manifestações. A teologia é, principalmente, a ciência que trata de Deus, da religião e da fé; apresenta os fatos da verdade observada e revelada em ordem metódica e indica os meios de aplicá-los aos deveres da vida. A teologia, pois, prende-se a outros fatos além dos que são especificamente chamados espirituais; sua esfera é a da verdade, dai a importância da fé no mundo atual.
Mas à luz da teologia o que é a fé? Segundo Efésios 1,3 - "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais, nos lugares celestiais, em Cristo". Deus já nos abençoou. Deus já abençoou em abundância, com todas as bênçãos. E estas bênçãos estão guardadas num lugar, chamado lugar celestial. É como se fosse a dispensa de Deus: estas bênçãos já existem no mundo espiritual.
No entanto, a grande dificuldade na compreensão das verdades reveladas pela fé está nas inúmeras concepções errôneos do que seja a fé. Por isso vale acenar sobre o que não é a fé. Fé não é esperança. A esperança diz: "Um dia, Deus vai curar-me". Esperança põe sempre as coisas no futuro. A Fé diz: hoje, tudo aquilo que Deus promete é meu. A Fé põe as coisas no presente. Fé não é entusiasmo. Certas pessoas quando ouvem determinado tipo de mensagens, ficam entusiasmadas com as experiências que ouvem, de homens de grande fé. E, porque estão entusiasmadas, correm a fazer a mesma coisa, mas nada acontece, pois não têm o mesmo grau de fé. O entusiasmo segue experiências, mas a fé segue a palavra de deus. a fé opera sempre, sobre as promessas de deus, e não dando passos no escuro. Fé não é um sentimento mental. Sentimento mental reconhece que as promessas de Deus são verdadeiras, mas recusa-se a agir de acordo com elas, por causa das circunstâncias. Ora, a Fé está sempre relacionada com coisas que se não vêem. II Coríntios 5,7 - "Porque andamos por fé, e não por vista".
Assim, esperança, entusiasmos e sentimento mental são características inerentes a toda e qualquer ação humana inclusive no meio acadêmico científico. Todo cientista ao iniciar algum experimento sente-se entusiasmado pela sua ação e espera que os resultados seja útil e traga prosperidade a todo o mundo e a ciência em especial. Isso não significa que estas pessoas creiam em Deus ou utilizam-se da fé em suas vidas, pois a fé é presente e não futuro.
Segundo Hebreus 11,1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem". Fé é você acreditar em coisas que existem, mas que não se vê. Por exemplo: você não pode ver os seus pensamentos, contudo, eles existem; não pode ver o ar que respira, mas é por ele que vive. Ainda a fé põe a Palavra de Deus acima de todas as circunstâncias. II Coríntios 4,18 – “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas".
A fé não só se apresenta como uma segunda forma de acesso ao real, mas como o fundamento que sustenta a existência humana. É graças, antes de tudo, a possibilidade de locomover-se da incredulidade à credulidade pela dúvida e pela conversão que o homem transcende suas limitações naturais e empíricas para identificar-se a uma realidade sobrenatural. Ter fé significa decidir que no âmago da existência humana há um ponto que não pode ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca na fímbria daquilo que não é visível, a ponto de este se tornar tangível para ele revelando-se como algo indispensável à existência. É essencial para o ser humano a crença em algo transcendente que reside longe do alcance de sua vista, algo só atingível por um esforço de simpatia intuitiva ou adequação racional. Só é possível fazer isso quando se percebe que o fundamento existencial humano está no invisível e que é mais segura a crença do que a incredulidade. Naturalmente o homem tende ao visível, mas pela “volta”, isto é, conversão, ele pode chegar a compreensão de que o visível é ilusório e de que é mais real e fundamental o invisível. Confiar apenas naquilo que os olhos vêem é na verdade uma grande cegueira, pois confiar-se apenas no visível é perseguir ilusões. A atitude de crer é deixar de observar somente o imanente e voltar-se para o transcendente, é o ato cotidianamente de resistir a tendência natural de olhar apenas para o mundo.
As pessoas que não tiveram um contato mais aprofundado com a Teologia e nem com a Filosofia, às vezes ainda que inconscientes desta realidade, admitem que a existência, natureza e atributos de Deus é um problema que ultrapassa os recursos da razão, só podendo, por isso, ser resolvido pela fé. Por outro lado alguns negam à razão e à fé o poder de provar estas verdades. Mas como demonstramos a inteligência humana, partindo dos efeitos sensíveis, pode elevar-se, por meio do raciocínio, até à natureza e atributos de Deus, a Causa Primeira da realidade Universal.
A grande dificuldade de crer no mundo atual está principalmente na distância temporal entre o “ontem” e o “hoje” e no abismo entre o “visível” e o “invisível”. As tentativas contemporâneas de atualizar a crença cristã aos nossos dias fazem com que ela pareça anda mais obsoleta. Tais esforços confirmam a suspeita de que se trata de uma tentativa desesperada de apresentar como atual o que na verdade não deixa de ser passado.
O qué é a Teologia? - Conclusão de Síntese Teológica
Começamos a nossa Síntese com a pergunta: Que é a Teologia? E ao longo dos capítulos, cada um na sua especificidade foi-nos desvendando paulatinamente o seu significado. Sabemos que etimologicamente Theos e logos é um tratado sobre Deus. Porém partimos da Revelação e da fé. Pois geralmente todas as definições de teologia que os teólogos cristãos têm dado, começam por ai. Por isso se diz que a teologia é a reflexão sistemática sobre a revelação ou a ciência da fé. Entendidas conforme a vontade de Deus. Pois, “Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade por meio de Cristo” (DV 2).
Essa revelação tematiza-se como Deus é quando se revela com ele mesmo, e se comunica a si mesmo no Filho, em sua vida em favor dos seres humanos e em sua relação com o Pai através do Espírito Santo, no crente e na comunidade reunida em seu nome. Por isso é que o mistério da Santíssima Trindade é a base central da fé e da vida cristã. Só Deus no-lo pode dar a conhecer, se revelando como Pai, Filho e Espírito Santo.
Vimos, que essa experiência cristã de que Deus Pai cria, e liberta os seres humanos em seu mundo por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo, significa para a teologia cristã que ela só fala de Deus quando fala, ao mesmo tempo, de Cristo e do Espírito Santo, pois, está dimensionada em termos cristológicos e pneumatológicos.
A cristologia é, sem sombra de dúvidas, o centro da teologia. Para onde todas as outras disciplinas convergem. Nela encontramos as mais profundas reflexões acerca da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Donde ainda nasce o começo da vida eclesial, pois, Jesus desde o início de seu ministério “chamou a si os que quis, e dentre eles escolheu Doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3,13-14). A partir daquela hora, eles foram os seus enviados. Neles continua a sua própria missão: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21). Este envio dá inicio à Igreja, comunidade dos fiéis, que têm por finalidade dar continuidade ao mandato deixado pelo mestre: “Ide e evangelizai...” (Mt 28,19).
Vimos ainda, que a partir da Eclesiologia surgem outras disciplinas fundamentais na teologia, dentre elas a Mariologia e a doutrina dos Sacramentos. Esta entendida como sinais e símbolos que comunicam a graça de Deus aos homens, por meio da Igreja. E aquela que, a partir da Bíblia, da Tradição e da Revelação e através de Maria e na própria vida da Igreja se desenvolveu, amadureceu e chegou até nós.
É por fim, no campo da Moral, que a Teologia à luz da Revelação e da fé vivida na comunidade eclesial, pretende apontar o caminho da humanização plena das pessoas e da sociedade, na trilha de Jesus Cristo e do seu Reino.
Creio que o estudo da teologia é, ao mesmo tempo, difícil e sugestivo, dado que ele é um aprofundamento da própria fé que, em todos, deve crescer, ao mesmo tempo que a idade e a experiência. Como dizia um grande amigo: “A teologia é um aprofundamento ordenado e sistemático da própria formação catequética”, formação que não pode nem deve reduzir-se à infância e à adolescência, mas tê-la presente por todos os dias de nossa vida. A teologia é um convite à vida cristã, porque só quem age conforme a verdade se aproxima da luz (cf. Jo 3,21) e porque, segundo uma expressão de São Boaventura, “o seu primeiro e último fim é que nos façamos bons”.
A teologia tende à santidade cristã e sua plena realização efetua-se na oração. Por isso, no fim, tomo como minhas as palavras do grande Santo Agostinho:
“Não tento, Senhor, penetrar na tua profundidade, já que a minha inteligência não se pode comparar com ela; mas desejo compreender, de qualquer modo, a tua verdade, verdade que o meu coração crê e ama. Não procuro, de fato, com
preender para poder crer; mas creio para poder compreender. Na realidade, é assim que eu creio: ‘Se não acreditasse, não poderia compreender’ (Is 7,9)”
(Santo Agostinho)
Assim o desejo e espero
Jessé Maia Rios
Teologia
Barra do Garças MT, 04/03/2009 - 20:11
O cristão não pode ser espírita! Por quê?
por: Jessé Maia Rios
Caro(a) leitor(a) neste final de ano fiquei demasiadamente surpreso com as celebrações “ecumênicas” de nossos queridos acadêmicos formandos de Barra do Garças. Por diversas vezes fui convidado a participar de um “culto ecumênico”, mas o meu espanto não se refere à minha participação, mas pelo fato de estas celebrações, na maioria das vezes não serem cultos emuito menos serem ecumênicos. Trata-se de um “Ato Religioso”, pois além da presença de um padre, ou ministro (parte católica) e do pastor (parte evangélica) também se faziam presentes algum médium ou confrade espírita (parte espírita). E justamente aqui fiquei surpreso, por perceber como Barra do Garças está tomada pelo Espiritismo.
Justamente por isso resolvi esclarecer, porque um católico não pode ser espírita. Pois percebi que muitos de nossos fieis despreocupadamente participam das duas doutrinas.
Primeiramente, vamos analisar algumas das coisas que existem em comum entre Cristãos e espíritas e que podem confundir e levar muitos Cristãos a procurarem centros espíritas. Ei-las:
1º Ambos, Cristãos e espíritas concordam que o mundo não é só matéria;
2º Que Deus existe que é eterno, único, onipotente, justo e bom;
3º Que os valores do espírito são superiores aos da matéria;
4º Que temos uma alma de natureza espiritual;
5º Que depois da morte, nossa alma continua viva e consciente;
6º Que a vida depois da morte depende de como a aproveitamos agora no corpo;
7º Que há espíritos perfeitos que vivem com Deus;
8º Que esses espíritos podem nos socorrer e ajudar;
9º Que há espíritos maus que podem nos perturbar e prejudicar;
10º Ambos, Cristiansmo e espiritismo, proclamam a extraordinária figura de Jesus e que Jesus insistiu principalmente na Caridade;
11º Que fora da Caridade não há salvação;
12º Que devemos fazer o bem e fugir do mal, etc...
Por causa dessas coisas em comum, muitos Cristãos, alguns até bem intencionados, começam a freqüentar centros espíritas e com isso, ficam contaminados.
A primeira Religião Cristã é a Católica; as outras religiões cristãs vieram depois, fundadas por contestadores da Católica. Aí surgiu uma infinidade de seitas. São Pedro foi o Primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Os Católicos tem unidade por terem um único chefe. Os espíritas não dão nenhum valor a Pedro ou aos seus sucessores, e nem à Igreja. A CNBB (Conselho Nacional dos Bispos do Brasil), em 1955, disse que o espiritismo no Brasil é o desvio doutrinário mais perigoso, pois nega todas as verdades da nossa fé. Não é possível conciliar Catolicismo com espiritismo. O espírita é considerado herege.
Olhe bem o que você é ou deseja ser. Cristão ou espírita? Pertencer a duas religiões antagônicas não é possível. Veja bem: Deus proíbe a evocação dos mortos desde o Antigo Testamento. Não confundir evocação com Invocação. Invocação é chamar por Deus, por Nossa Senhora, pelos Santos. Evocação é chamar pelos mortos ou até maus espíritos. E os mortos não vêm e não voltam. Há um abismo intransponível entre o Céu, a Terra e o inferno. Para constatar, leia a Parábola do rico e do Lázaro (cf. Lc 16 19,31). Também não confundir reencarnação com Ressurreição. Reencarnação = nascer varias vezes; Ressurreição = ressurgir dos mortos, ressuscitar no Juízo Final com o Corpo Glorioso. O vocábulo reencarnação nãoaparece nos Evangelhos.
Os espíritas não são admitidos na recepção dos Sacramentos desde 1915. Se tomarem a Sagrada Comunhão será Comunhão sacrílega; estarão assinando a própria condenação.
Para conservarem a aparência de cristãos, os espíritas repetem as palavras de Jesus sobre a Caridade e proclamam o princípio de que “fora da caridade não há salvação.” Isto é certo.
A Igreja não condena o espiritismo por causa desse principio. Aliás, a Igreja Católica é a pregoeira máxima da Caridade Cristã.
Há muitas instituições mantidas, dirigidas ou inspiradas pela Igreja que se dedicam à Caridade. Os maiores heróis da Caridade, São Francisco de Assis e Santo Antônio de Pádua, eram super Católicos. O erro dos espíritas não é pregar a Caridade. Mas, veja bem, Jesus que foi oEvangelista da Caridade, também foi o da Fé. Espírita tem Caridade, mas não tem Fé nas verdades do Evangelho. Jesus disse aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo, o que não crer será condenado.” Concluindo, a Caridade é necessária, mas a Fé deve existir. Sem Fé é impossível agradar a Deus. Mas só a Fé não basta, pois os Evangelhos dizem que os demônios crêem e tremem, mas não obedecem a Deus.
O verdadeiro Cristão deve ter Fé e Caridade e nunca freqüentar sessões espíritas, nem mesmo por curiosidade, para não se contaminar. Fé é a qualidade de crer além da razão, e Caridade é amor, é obra, é doação. Para a cura dos nossos males físicos e espirituais, temos Jesus Vivo, Deus Verdadeiro.
Teologia
Barra do Garças MT, 15/04/2009 - 18:13
Cristo, Cabeça da Igreja
por: Jessé Maia Rios
Estimado (a) Leitor (a),
Com a aproximação da Páscoa do Senhor recordamos o seu mistério da Ressurreição, fundamento da existência e da vida cristã. “Se Cristo não Ressuscitou, vã é nossa fé”, nos lembra o Apóstolo São Paulo. Por isso, com o coração aberto e exultante cantamos salmos, hinos e cânticos espirituais ao Senhor presente na nossa vida e na vida de toda a Igreja.
São Paulo nas cartas aos Colossenses e Efésios nos deixa a bela imagem de Jesus Cristo, como Cabeça da Igreja (Cl 2,18-19 e Ef. 4,15-16). Nessa expressão encontramos dois significados. O primeiro que Ele é o dirigente, o responsável que guia a comunidade cristã, como seu Chefe e Senhor (Col 1,18 = Ele é a cabeça do Corpo, a Igreja). O outro significado é que Ele é como cabeça que alimenta e une os outros membros. É preciso manter-se vinculado à cabeça, pela qual todo o corpo é alimentado e unido (Cl 2,19).
Ele não só dá ordens, mas está unido a nós, pois dele vem a força de modo reto. A Igreja segue sua orientação e todas as forças vitais que provem d’Ele. Em Efésios essa idéia é desenvolvida até nos ministérios da Igreja. Eles são conferidos por Cristo ressuscitado: foi Ele que “estabeleceu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como pastores e mestres” (Ef. 4,11). É dele o corpo inteiro. Ele opera seu crescimento (Ef 4,16). Cristo dedicou-se para “apresentar sua Igreja gloriosa sem mancha nem ruga, mas santa e imaculada” (Ef 5,27).
Jesus não só é Cabeça da Igreja é também Cabeça dos poderes celestes e de toda a criação. “Ele está acima de todo o poder e nome que se evoca” (Ef 1,21). Ele não teme qualquer concorrente. Unidos a Cristo não devemos temer inimigo algum, nem qualquer adversidade, por isso devemos manter-nos muito firmes a Ele. Devemos anunciar a Cristo como o único vencedor, de modo que quem estiver unido a Ele, não deve temer nada, nem ninguém. Isso é importante para nós que devemos enfrentar todos os receios.
Ele é a Cabeça da criação, também o Cosmos foi por Ele criado, criado para nós porque estamos unidos a Ele. A Ele estão submetidas todas as coisas e n’Ele serão “recapituladas todas as coisas do céu e da terra” (Ef 1,10).
Em Cristo também se encontra o cumprimento do mistério de Deus, sua vontade, em que “estão escondidos todos os tesouros de sabedoria e do conhecimento” (Cl 3,2-3).
Se pensarmos que a Igreja é o Corpo de Cristo, que Cristo se entregou a Si mesmo por ela, aprendemos a viver com Cristo o amor recíproco que nos une a Deus e que nos mostra no outro a imagem do próprio Cristo.
Teologia
Barra do Garças-MT, 15/04/2009 - 18:26
Segurança Pública: direito ou dever do cristão
por: Jessé Maia Rios
A Campanha da Fraternidade deste ano de 2009 é, sem dúvida alguma, uma das melhores promovidas pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Justamente por refletir um tema tão necessário e relevante no momento ímpar que atravessamos em nosso país. Vivemos um momento de grande violência urbana e de profundos distúrbios sociais. Aquilo que antes conhecíamos somente dos filmes de Hollywood, e que parecia tão irreal e distante, agora está muito perto. Hoje o perigo mora ao lado. Para alguns é ainda pior, pois o perigo mora dentro de casa. Diversos recursos são apresentados como paliativos para a situação, como forma de amenizá-la. Assim, multiplicam-se vertiginosamente os diversos meios que oferecem alguma segurança às pessoas, patrimônio, empresas e até igrejas (pois nem estas estão escapando). A justiça e a polícia, principais responsáveis pela proteção e combate às forças do mal, estão impotentes e têm se mostrado insuficientes e ineficazes, apesar de todo esforço empreendido.
Estamos bem perto do caos, e tanto a impunidade, como as drogas e a falta de Deus na vida das pessoas, tem potencializado e agravado a situação. As seguradoras, as empresas de vigilância especializadas, escoltas armadas, segurança pessoal, as que vendem e instalam equipamentos de segurança, armamentos e até academias que oferecem cursos de defesa pessoal e de lutas, têm crescido como nunca e inovado espetacularmente o cenário nacional. São os que se beneficiam na proporção em que a violência e o medo crescem.
Cada um se vira como pode; aumentando os muros da casa, instalando cercas elétricas, colocando cacos de vidro nos muros, grades, sensores e até mesmo cães ferozes. Hoje não dá para ter um carro sem seguro, travas, alarmes e em muitos casos até blindagem. Não faltam os que contratam segurança pessoal, nem os que andam armados; como forma de se defender e proteger.
Ante o terrível quadro apresentado e vivido por todos, surge a questão: E nós cristãos, que temos fé em Jesus Cristo e sabemos ser Ele o nosso guardião, como ficamos nesta situação? Devemos nos preocupar com a segurança? Devemos nos precaver, ou somente esperar e crer na misericórdia de Deus? Estaríamos pecando ou demonstrando falta de fé ao utilizar algum método de segurança? O que fazer? Afinal a Segurança é um direito do cristão? Ou se trata de um dever?
Todo Cristão tem o direito de professar sua fé em qualquer lugar público. Mas o primeiro e grande dever de todo cristão é tomar consciência de que a defesa da vida é responsabilidade de todos, desde a concepção até o término natural. Depois, temos outros temas que estão ligados a este: a ecologia em defesa da natureza; a questão da sociedade, para que ela crie igualdade e não diferenças, excluindo ou eliminado os pobres; toda a situação caótica apresentada no trânsito; a questão das políticas públicas, como a saúde, a educação e principalmente a segurança.
Há uma frase de Santo Agostinho que diz "Ama, e faze ao que queres" Se calas, cala por amor; se falas, fala por amor; se corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor. O amor deve estar no centro de todas as nossas ações. O que isso quer dizer? “Que quando nos relacionarmos com o nosso próximo, devemos fazê-lo dentro de um clima de respeito e de auxílio mútuo, cooperando com tudo o que nos rodeia.”
A Prática do amor ao próximo pode ser vista em função da obediência aos ensinamentos de Jesus. Nesse sentido, quando perdoamos não sete mas setenta vezes sete a ofensa recebida, quando aguardamos até o dia seguinte para querelar com o nosso vizinho, quando exercitamos a nossa paciência diante das mais ásperas dificuldades, quando procuramos dar o exemplo, quando respeitamos a liberdade alheia, quando fazemos todos os esforços para não nos omitirmos, estaremos nos exercitando no amor ao próximo.
Teologia
Barra do Garças-MT, 15/04/2009 - 18:17
Quem comete o suicídio está condenado?
Por: Jessé Maia Rios
